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Claude, MCP e Home Assistant: a casa que você conversa
O que é MCP explicado sem jargão, como ligar o Claude Desktop e o Claude no terminal ao Home Assistant, quais servidores MCP valem a pena e como fazer isso com segurança.
Existe uma diferença enorme entre "minha casa tem um assistente de voz" e "eu converso com a minha casa". A primeira entende comandos decorados. A segunda entende contexto: "a varanda ficou com a luz acesa ontem à noite?", "crie uma automação que feche as cortinas quando o sol bater na sala".
O que tornou isso possível chama-se MCP.
O que é MCP, em uma analogia#
Antes do USB, cada aparelho tinha um conector diferente. O USB não deixou a impressora mais inteligente — só criou um jeito padrão de qualquer computador conversar com qualquer periférico.
O MCP (Model Context Protocol) é o USB dos modelos de inteligência artificial. É um padrão aberto que define como um programa oferece ferramentas e dados para um modelo usar. Quem fala MCP de um lado conversa com quem fala MCP do outro, sem integração feita à mão.
Na prática:
- Servidor MCP — quem oferece. O Home Assistant oferece "ligar a luz da sala", "qual a temperatura do quarto".
- Cliente MCP — quem consome. Claude Desktop, Claude no terminal, ChatGPT, Cursor, Antigravity.
O modelo não vira dono da casa
O servidor MCP decide o que fica exposto e se o cliente pode agir ou apenas ler. É você quem entrega as chaves, uma a uma.
Passo 1: ligar o MCP no Home Assistant#
O Home Assistant tem uma integração oficial chamada Model Context Protocol Server.
- Vá em Configurações → Dispositivos e serviços → Adicionar integração
- Escolha Model Context Protocol Server
- Decida se os clientes poderão controlar a casa ou apenas consultá-la
Dois detalhes que costumam travar iniciantes:
- Só entra no MCP o que está exposto ao Assist. Em Configurações → Assistentes de voz → Expor, escolha as entidades. Nada exposto = o modelo não vê nada.
- A autenticação usa um token. No seu perfil (canto inferior esquerdo) → aba Segurança → Criar token de longa duração. Copie e guarde: ele aparece uma única vez.
O endereço do servidor é http://<ip-do-home-assistant>:8123/api/mcp.
Um token de longa duração é uma chave mestra
Ele vale para sempre e dá acesso à API do Home Assistant. Guarde num gerenciador de senhas, nunca num arquivo versionado no Git, e revogue na mesma tela se desconfiar de algo.
Passo 2: Claude Desktop (no seu Mac)#
O Claude Desktop conversa com servidores MCP de duas formas:
a) Conector remoto — se o seu Home Assistant tem endereço público e HTTPS (por exemplo, o
https://….ui.nabu.casa da Nabu Casa), basta adicioná-lo como conector e autenticar.
b) Ponte local — se a casa só existe na rede interna, um pequeno programa (mcp-proxy) faz a ponte entre o Claude Desktop e o endereço local. A configuração fica no arquivo de configuração do Claude Desktop, mais ou menos assim:
{
"mcpServers": {
"home-assistant": {
"command": "mcp-proxy",
"args": ["http://192.168.1.50:8123/api/mcp"],
"env": { "API_ACCESS_TOKEN": "SEU_TOKEN_DE_LONGA_DURACAO" }
}
}
}
Reinicie o Claude Desktop e a casa aparece como ferramenta disponível. A partir daí:
"Quais luzes estão acesas agora?" "A temperatura do quarto passou de 26 graus em algum momento desta madrugada?" "Desligue tudo da área de serviço."
Passo 3: Claude no terminal (o ajudante de configuração)#
O Claude Desktop é ótimo para conversar com a casa. O Claude no terminal é ótimo para trabalhar na casa: ele lê e escreve arquivos, roda comandos e entende projetos inteiros.
Casos em que isso muda o jogo:
- Escrever e corrigir YAML de automações complexas, com
ha core checkrodando logo depois - Criar configurações do ESPHome para um sensor novo, já com os pinos certos
- Refatorar o
configuration.yamlque cresceu demais, separando em pacotes - Investigar logs e explicar o que aquele erro significa
- Versionar tudo no Git, com mensagens de commit decentes
Para ele enxergar os arquivos do Home Assistant, há três caminhos:
| Caminho | Como funciona | Quando usar |
|---|---|---|
| Samba | O app Samba share monta /config como pasta de rede no Mac |
O mais simples no dia a dia |
| Git | Você versiona /config num repositório e trabalha na cópia local |
O mais seguro: histórico e volta atrás |
| SSH | Acesso direto ao shell do HAOS | Ajustes rápidos e diagnóstico |
A combinação que funciona
Configuração no Git + Claude no terminal + ha core check antes de reiniciar. Você ganha histórico,
revisão e a possibilidade de voltar atrás — três coisas que faltam a quem edita YAML pela interface.
Quais servidores MCP valem a pena#
A lista cresce toda semana. Para quem cuida de uma casa inteligente, estes são os que realmente aparecem no uso diário:
| Servidor MCP | Para quê |
|---|---|
| Home Assistant (oficial) | Ler estados e controlar a casa |
| Filesystem | Ler e escrever arquivos de configuração numa pasta específica |
| Git | Histórico, diferenças e commits da sua configuração |
| Fetch | Buscar uma página da web (documentação, tabela de referência) |
| Memory | Dar memória persistente ao assistente entre conversas |
| SQLite | Consultar bancos locais — inclusive o histórico do Home Assistant |
| Playwright / navegador | Automatizar páginas que não têm API |
| Cloudflare, GitHub e afins | Se você também publica sites, como este |
Os servidores de referência ficam em github.com/modelcontextprotocol/servers.
Servidor MCP roda código no seu computador
Instale apenas o que vier de fonte conhecida. Um servidor MCP malicioso tem o mesmo poder que qualquer programa que você executa — e ainda ganha a ajuda de um modelo para usá-lo. Dê a cada servidor a menor pasta e o menor escopo que resolvam o problema.
O Assist do Home Assistant com um modelo por trás#
Não é obrigatório sair do Home Assistant para ter conversa natural. Em Configurações → Assistentes de voz, você pode definir um agente de conversação baseado em modelo de linguagem — do Claude, do Google, da OpenAI ou local, via Ollama rodando no seu mini-PC ou no Mac mini.
O arranjo mais equilibrado:
- Comandos simples (acender, apagar, trancar) → processados localmente, rápidos e sem custo
- Pedidos complexos ("deixe a casa pronta para dormir") → vão para o modelo
- Satélites de voz ESP32 espalhados pela casa (ESPHome) como entrada de áudio
Rodando o modelo localmente, nenhum áudio sai de casa — e o custo por pergunta é zero.
Segurança: as cinco regras#
- Exponha só o necessário. Comece com luzes e sensores; deixe fechaduras, portão e alarme de fora até confiar no conjunto.
- Um token por cliente, com nome claro ("claude-desktop-mac"). Assim você revoga um sem derrubar os outros.
- Cuidado com injeção de prompt. Um modelo lê textos de muitas fontes; se uma delas contiver instruções disfarçadas, ele pode tentar executá-las. Isso é mais um motivo para não expor o que é crítico.
- Nada de tokens no Git. Use
secrets.yamle.gitignore. - Prefira ler antes de agir. Passe semanas em modo consulta; só depois libere o controle.
Um passo adiante nessa estrada são os agentes autônomos, que não esperam sua pergunta — e trazem vantagens e riscos próprios. É o tema do guia sobre OpenClaw.